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Covid-19 e Saúde Pública: Estatística Desumanas

Nas últimas semanas, os casos de Covid-19 vêm aumentando bruscamente em alguns países. Na Europa, por exemplo, países como o Reino Unido[1] e Alemanha[2]impuseram medidas mais duras de controle pandêmico, decretando Lockdown e modificando alguns critérios de finalização do isolamento social de pessoas que tiveram contato com infectados e daqueles que já estão com a doença[3]. As vacinas prometem imunização, contudo até colhermos os resultados da eficácia e da duração dos efeitos imunizantes, teremos, ainda, que aguardar um tempo significativo[4]. Portanto, até lá, a única solução para diminuir os efeitos danosos da pandemia, estará nas mãos dos governos de cada país, destacando a estatística prestada a ética do Dever, os quais tem a obrigação de reafirmar a responsabilidade civil de cada e com cada indivíduo.

A medicina, como toda a ciências naturais, estrutura todos os pensamentos em dados estatísticos, toda a forma de referenciar as patologias que acometem o ser humano, são fundamentadas nas experiências e observações históricas refletida pelos números. A individualidade do ser é transformada em uma escala numérica para facilitar o entendimento da magnitude dos problemas, de massa, que se propõem a enfrentar. Para analisar estatisticamente uma comunidade, no intuito de determina a qual será a melhor maneira de alargar uma compreensão, têm que se realizar correlações estatísticas importantes para mirar os melhores direcionamentos para o controle de uma determinada patologia, nesse caso a Covid-19.

Entretanto, como a pandemia permitiu a visualização de muitas questões problemáticas ligadas as relações do individuo com o indivíduo e do indivíduo com o planeta, esse desastre humano que estamos vivenciando, a pandemia pelo Sars-Cov-2 e suas variantes, esclarece a todos a necessidade de observar a importância do outro, como ser único e diverso, em uma cadeia de fatos que poderá atingir toda humanidade. Então, o que deveremos repensar estatisticamente com as lições que a pandemia nos ensina?

Nos boletins atuais da comunidade europeia, os quais tercem orientações sob a pandemia, como exemplo, os dados estatísticos que apontam o período de incubação, indicam que 99% da Covid-19 manifesta-se entre o 2º e 14º dias[5]. Ou seja, é possível dentro de uma curva de transmissibilidade ocorrerem pacientes que apresentem manifestações da doença antes e após esse período. Outro dado importante[6], é que 37% a 44% das pessoas podem transmitir a doença em estágios pré-sintomáticos.  Ainda observando os dados estatísticos[7], nota-se que as possibilidades dos portadores assintomáticos e sintomáticos leves continuarem carregando cepas virais, possíveis de transmissão, na oro-faringe após 10 dias de teste positivo (RT-PCR) para os assintomáticos, e para os sintomáticos leves, 10 dias + 3 dias sem sintomas, é evidente, por esse motivo, alguns países adotaram critérios de dupla checagem antes da reintegração do individuo, ou seja, repetir os testes novamente (RT-PCR). Todavia, os critérios de controle pandêmico estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde[8], baseando nas fundamentações econômicas e estatísticas, nas quais observam-se as limitações dos recursos para necessidade ilimitadas, recomenda-se que:

Quando o indivíduo tiver contato com infectado, deve procurar fazer o teste (RT-PCR), mesmo assintomático. Caso o teste dê negativo não será descartado a possibilidade de vir positivar a posteriori. Caso dê positivo, se o individuo não apresentar sintomas após 10 dias, poderá ser reintegrado a comunidade. Entretanto, caso apresente positivo e tenha sintomas leve, deve esperar 10 dias + 3 dias sem sintomas para reintegrar, ou a quantidade de dias com sintomas + 3 dias sem sintomas (por exemplo: 30 dias sintomático + 3 dias sem sintomas) para se reintegrar[9].

Contudo, o que se discuti aqui não é, especificamente, a fórmula estatística de manejo das observações das cargas virais e riscos de transmissibilidade probabilístico, mas a forma de observações não particularizada dentro do pensamento estatístico desumano utilitário e econômico. Pensamento que desconsidera a probabilidade, possibilidade, pequena de transmissão, que, caso fosse considerada, diminuiria muito os casos de Covid-19 com a retestagem (RT-PCR). Nesse modelo que é adotado pelo país que abriga o maior número de casos e mortes (Estados Unidos da América)[10][11], fica mais que evidente que a preocupação não é com a saúde humana, mas sim com a economia. Visto que, a epidemiologia não serviu para a fundamentação do controle pandêmico, e os números de infectados e mortes batem recordes um dia após o outro, assim como, a aposta está desesperadamente voltada para a eficácia das vacinas.  Alguns países vêm modificando os critérios de alta de isolamento, obrigando as pessoas que testaram positivo, reavaliar com novo teste para afastar a possibilidade de transmissão antes da reintegração comunitária. No Brasil, que segue um modelo de heteronomia desgovernamental[12], existem diversos relatos de pessoas suspeitas que até o momento lutam para fazer o primeiro teste[13].

Portanto, a individualidade e a diversidade do ser estão atreladas ao dia a dia dos profissionais de saúde que, na ponta de linha de uma cadeia produtiva, têm que lhes dar com as particularidades dos seus pacientes, coisa que o sistema desconsidera. Inúmeras vezes, as expectativas dos seres humanos não saem como números que representam uma grande maioria. A transferência de responsabilidades de todo um sistema que desconsidera o indivíduo, mostra como a estatística é observada dentro de um pensamento Utilitarista econômico, desumano, sendo que é desconsiderada a ética do Dever para com todos e suas particularidades. Até as vacinas provarem suas eficácias ou a pandemia consegui convencer as pessoas e os governos da importância do outro, teremos que conviver com o medo e a endemização de uma doença que poderia ser controlada[14].

Os próprios dados que revelam as quantidades de óbitos e contaminados já são estatística desumanas.

por Ângelo Augusto Araújo – jornalgrandebahia

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